Thursday, December 1, 2016


“Zé-do-Burro, de faca em punho, recua em direção à igreja. Sobe um ou dois degraus, de costas. O Padre vem por trás e dá uma pancada em seu braço, fazendo com que a faca vá cair no meio da praça. Zé-do-Burro corre e abaixa-se para apanhá-la. Os policiais aproveitam e caem sobre ele, para subjugá-lo. E os capoeiros caem sobre os policiais para defendê-lo. Zé-do-Burro desapareceu na onda humana. Ouve-se um tiro. A multidão se dispersa como num estouro de boiada, Fica apenas Zé-do-Burro no meio da praça, com as mãos sobre o ventre Ele dá ainda um passo em direção à igreja e cai morto.”

Dias Gomes "Pagador de Promessas"

Eu gostei da apresentação teatral que fizemos. Usamos marionetes porque era uma ideia engraçada e legal, mas isso trouxe uma qualidade bem diferente à cena. A intenção não era trazer uma interpretação simbólica com as marionetes porque nem pensamos nisso quando decidimos usar as marionetes. Portanto eu acho que existe uma interpretação e análise mais profunda devido ao uso de marionetes. É uma cena muito seria mas fazemos de maneira engraçada. As marionetes não demostram emoção então usamos movimento e elementos extradiégeticos para demostrar a emoção da cena. Feito assim a cena parece bem mais inocente apesar do conteúdo violento. Essa inocência pode representar a inocência do próprio Zé e como ele está sendo mudado pelas coisas acontecendo.


Além de representar inocência, as marionetes também demonstram o tema da exploração do homem pelo homem. Zé deve ser marionete das instituições na peça, mas no fim ele está lutando contra eles. Representando todos os personagens como marionetes pode introduzir a pergunta de que está controlando quem nessa história? Quando o Zé morreu o Nathan até retirou a mão dele e talvez isso seja uma representação do fato que não é marionete mais. Ele tem saído de sua posição enquanto os outros continuem como marionetes dos sistemas que apoiam.

Friday, November 25, 2016

Sim, talvez tenha  feito, por inspiração de  Satanás!  Há quem diga que  não  estamos  mais  em época  de   acreditar  em   bruxas.  No entanto,  elas ainda existem!  Mudaram  talvez de   aspecto como Satanás  mudou de   métodos.  É  mais  difícil   combatê-las  agora, porque são inúmeros o seus disfarces. Mas o  objetivo de  todas continua a ser um só: a destruição da Santa Madre Igreja!
Dias Gomes "Pagador de Promessas"

Eu acho interessante que o Padre fala de bruxas aqui. Como falei antes neste blog teve na América uma caça de bruxas e mais tarde uma caça para comunistas. Essa história claramente tem elementos de comunismo, mas a inclusão de bruxas indica a importância da mensagem. Talvez seja por coincidência  que foi incluída mas eu acho que o Gomes está dizendo que as instituições culpam as pessoas normais. O Zé é um homem normal. Não é comunista e não faz bruxaria, mas ele se torna o culpado.
O proposito que as instituições teriam em culpar os outros é que não querem aceitar responsabilidade por suas falhas. Ao em vez de apoiar o trabalhador pobre, o capitalismo chama ele de comunista. Se tiver mulher pecadora na igreja, a igreja chama ela de bruxa e não ajuda ela. É isso que acontece com o Zé. Ele não quer ser um símbolo e também não quer causar problemas, mas ele é candidato perfeito para receber a culpa pelas ações dos outros. No final da história ele sofre a maioria das consequências também.

Thursday, November 17, 2016

Zé-do-Burro, de faca em punho, recua em direção à igreja. Sobe um ou dois degraus, de costas. O Padre vem por trás e dá uma pancada em seu braço, fazendo com que a faca vá cair no meio da praça. Zé-do-Burro corre e abaixa-se para apanhá-la. Os policiais aproveitam e caem sobre ele, para subjugá-lo. E os capoeiros caem sobre os policiais para defendê-lo. Zé-do-Burro desapareceu na onda humana. Ouve-se um tiro. A multidão se dispersa como num estouro de boiada, Fica apenas Zé-do-Burro no meio da praça, com as mãos sobre o ventre Ele dá ainda um passo em direção à igreja e cai morto.

Esta informação extradiegética é muito importante para o entendimento da história do Zé. A descrição de uma “onda humana” representa o fato que ele é vítima de sistemas que não controla. Ele se perde na exploração dessas instituições. Eu acho interessante que neste instante a informação extradiegética está apoiando os temas da peça sem ajuda do diálogo. Ao receber um tiro na barriga, o Zé ainda faz esforço para entrar na igreja. Tomando um passo e caindo morto indica sua intenção de entrar e sua incapacidade de fazer isso por causa das ações das pessoas ao redor dele. Eles todos são culpados de certa forma, porque todos falharam e as instituições de proteção machucaram ele.

Ninguém sai dessa situação sem culpa. Não sabemos quem deu o tiro que matou o Zé mas sabemos que todas as ações das pessoas contribuíram a essa situação. O clímax representa as consequências de explorar os outros em pleno contradição de uma carga oficial ou protetora. Tudo isso poderia ter sido evitado e o homem comum, Zé, não teria sofrido a injustiça que sofreu. Isso demostra a importância de tomar cuidado com a vida dos outros. Abusando uma posição de poder indica essa necessidade, porque talvez não vai causar problemas para o poderoso, mas os outros podem sofrer.

Friday, November 11, 2016

"E desde quando trabalhar dá direito a alguma coisa? Quem lhe meteu na cabeça essas idéias? (Olha-a de cima a baixo, com desconfiança) Está virando comunista?"

O Pagador de Promessas Dias Gomes

Está citação demostra o medo vermelho que existia na época em Gomes escreveu essa peça. É interessante ler e assistir a mídia produzida durante e por causa do medo vermelho. A diferença é a maioria das coisas que eu tenho lido analisam a situação mas geralmente não condenam o capitalismo. Por exemplo Twilight Zone mostravam os problemas associados com o medo vermelho no episódio “The Monsters are Due on Maple Street,” mas a implicação no episódio é que o medo vermelho vais destruir os Estados Unidos mais rápido do que o comunismo. Ainda condena o comunismo, mas diz que o medo vermelho é pior.
            O único livro daquela época que eu tenho lido que é semelhante ao teatro O Pagador de Promessas é o livro The Crucible em que os moradores da vila caçam bruxas. O autor estava comparando este período da história Americana com o medo vermelho. O Pagador de Promessas é mais claro ainda com as imagens anticapitalistas. O Bonitão personifica o capitalismo, mas ele é vilão na peça. Ele não representa o governo ou os vizinhos caçando os comunistas, mas o próprio comunismos. Isso separa a peça das outras obras de ficção que saíram daquela época.

Thursday, November 3, 2016

“De suíço tenho, herdados de meu bisavô,
um relógio de bolso antigo e um vago, estanho nome.”
“Autoretrato” Rui Knopfli (170)

É interessante que neste poema o Knopfli fala de tudo que tem recebido do lado português dele usando muitas figuras de linguagem e imagens vividas, mas ao descrever seu lado suíço é bem literal. Ele literalmente herdou um relógio e um sobrenome daquele lado de sua família, nada mais que isso. Seu desprezo de seu lado suíço talvez indica que ele sente mais português que suíço. Como poeta é provável que ele sente que seu lado suíço não tem contribuído nada ao seu trabalho e sua imaginação. É parte dele, mas ele só tem um nome e relógio como evidência disso.
Do outro lado, ele usa sua identidade suíço no poema que indica que tem influenciado dele mais que ele diz. Ele faz um contraste entre o lado suíço e o lado português e é possível que não teria recebido tanto do lado português sem o lado suíço também. É como seria impossível saber o bem sem saber o mal também. Estes dois versos indiquem bem mais do que dizem e por isso são incluídos. Se não tivesse dito nada sobre o lado suíço, o leitor nem saberia da importância daquele aspecto da sua vida, mas por é incluído o leitor entende que o lado suíço tem um papel importante na sua vida.

Wednesday, October 26, 2016

"Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações/ 
de apreço ao Sr. diretor."

“Poética” Manuel Bandeira p. 184

Eu gostei muito dessa imagem neste poema porque indica uma frustração maior com a sociedade. Uma sociedade burocrática é chata e pode até prejudicar arte porquê falta espontaneidade. Tudo tem que ser bem planejado e medido numa sociedade assim. Não pode ofender ninguém e tudo tem que seguir certas regras. Isso é muito claro hoje em filme, romance e televisão. Parece que tudo é feito por comitê e voto popular, não por pessoas imaginativas. A mídia hoje é um pouco diferente que a poesia descrita pelo Bandeira, mas a imagem aplica ainda.

Poucas coisas populares são originais hoje. Este é o problema. As pessoas que produzem mídia só querem dinheiro e sempre vão fazer o mínimo esforço possível para enriquecer. As audiências leem e assistem qualquer coisa produzida hoje. Por isso parece uma burocracia. Porque fazer mais do que necessário? O sistema está funcionando e o povo está mais ou menos tranquilo então não precisa esforçar mais. Esta ideia está destruindo mídia moderna. Eu concordo com o Manuel Bandeira e eu sinto sua frustração com a poesia na época dele.

Wednesday, October 12, 2016

Poesia
grão amargo
entre meus dentes.
("Poesia," Neide Archanjo p. 109)

Este poema funciona muito bem porque apresenta uma tese que apoia através da sua própria existência. Eu diria que isso é um ótimo exemplo de metaficção. É poema que fica com o leitor porque pede a interpretação. Alguns poemas podem ser facilmente entendidos, mas este não é um poema simples mesmo que seja bem curto. Ao parecer mais acessível, este poema aumenta mais ainda o conceito de analise. Uma olhadinha indica que seria um poema muito facíl de entender, mas ao ler o leitor é obrigado fazer algumas interpretações pessoais. Por exemplo o leitor pergunta se o autor gosta de poesia ou se este poema é manifesto contra a poesia? Não poder saber com certeza, mas é difícil ler isso sem ter essa perguntas.


Eu acho que talvez isso seja um poema demonstrando o problema de analisar demais. Talvez a poesia somente se torna grão amargo quando procuro significado. O poema em si foi engraçado a primeira vez que eu li porque é paradoxo comparar poesia com algo chato num poema. Mas ao ler de novo eu começei procurar o significado mais profundo. Foi neste momento que o poema começou parecer grão amargo. Talvez era melhor ler uma vez e nada mais pensar nele, mas se eu tivesse feito isso eu teria perdido a tese auto-realizável. 

Thursday, October 6, 2016

“Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão” (Rueben Braga, “Homem no mar” 84).

Eu acho que essa crônica exibe a problema com julgando as pessoas de uma percepção limitada. O narrador diz que este homem é “irmão correto” mesmo que não sabe nada dele. Ele poderia ser adúltero, mentiroso ou ladrão. Não há evidência nenhuma que este homem é “nobre” ou “correto.”  Isso revela otimismo do narrador que é uma qualidade boa, mas tem que ter cuidado. Eu acredito que a maioria das pessoas são boas, mas santas talvez não sejam. Fazendo o homem do mar parecer um herói é tão perigroso que achando que ele é vilão. Não é possível fazer um julgamento tão simples sem ter mais informação.


O homem do mar pode representar qualquer figura histórica de caráter dúbio. Os Colombos e Napoleãos do mundo foram homens de grandes obras e estudamos eles. Acompanhamos suas viagens e conquistas na sala de aula, mas não realmente sabemos o caráter deles. Alguns dizem que foram heróis enquanto outros os chamam de vilões. A verdade é provavelmente algo entre os dois. Observando de longe não dá para saber, mas mesmo assim todos tem uma opinião. Eu acho melhor reservar o julgamento até o ponto em que sabemos mais.

Friday, September 30, 2016

"Dá-me então um com que possa atrever-me eu, não, um desses não, dá-me antes um barco que eu respeite e que possa respeitar-me a mim, Essa linguagem é de marinheiro, mas tu não és marinheiro, Se tenho a linguagem, é como se o fosse" (José Saramango"A Ilha Desconhecida" 42-42).

Que diferença faz se ele é marinheiro ou não? Ele não tem titúlo nenhum mas mesmo assim ele acha que vai conseguir encontrar uma ilha desconhecida. É melhor se achar capaz de fazer algo ou ter um título? O rei tem um título mas parece que ele não faz nada. Não faz sentido ter barcos sem explorar mas é o que o rei faz. A mulher da limpeza tem título mas parece no começo que só isso defina ela. Ela segue o homem para ser a mulher da limpeza do barco. Parece que só o homem é livre para escolher seu destino, mas ele nem sabe que isso seria.

É difícil não saber onde se encaixa numa sociedade, mas também tem liberdade nisso. Pode ser o que quiser e se consegue agir naquela função não deve fazer diferença. Um exemplo que não é muito bom, mas dá é o Donald Trump. Mesmo não sendo um político ele é candidato para ser presidente. Se consegue fazer isso sem ser político quer dizer que ele ainda não é político? Ou se tornou político ao se candidatar. De qualquer jeito ele é candidato como o homem do barco poderia ser marinherio.


Thursday, September 22, 2016

"Eu é que já comia devagar, um pouco nauseado sem saber por quê, participando também não sabia de quê. De repente ei- lo a estremecer todo, levando o guardanapo aos olhos e apertando-os numa brutalidade que me enleva... Abandono com certa decisão o garfo no prato, eu próprio com um aperto insuportável na garganta, furioso, quebrado em submissão." (Clarice Lispector, "O Jantar," Online PDF ) 

Essa passagem revela uma qualidade humana que eu acho muito interessante. Esta é a curiosidade mórbida que se manifesta quando alguém tem que ver algo fora do normal. Isso pode ser coisa assustador, nojento ou estranho mas seja que for tem um efeito interessante em muitas pessoas. Ao invés de ignorar esta coisa perturbante, uma pessoa vai olhar com mais cuidado ainda. No caso neste conto isso traz um sentimento de nojo.

Mesmo que uma imagem pode trazer maus sentimentos, a curiosidade é uma força humana mais forte que qual quer nojo ou medo. Até onde vai essa curiosidade e o que satisfaz? O narrador do conto passa fome por sua curiosidade. Não consegue se alimentar por que so prestava atenção no velho comendo e ficou com tanto nojo que não sentia mais desejo de comer. Então é melhor analisar o mundo ao nosso redor e não poder fazer nada sem julgar os outros ou ignorar algumas coisas e viver uma vida mais feliz como o velho? Acho que a resposta é uma combinação dos dois. Precisa a curiosdade suficiente para aprender, mas não é necessário saber de tudo.

Thursday, September 15, 2016

"Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar
acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e
não queria perdê-la.
— É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
— Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. S. João não digo, nem Santo Antônio..." (Machado de Assis, "A Missa do Galo," 28).

Aqui tem uma das evidências mais fortes do que a Conceição está aproveitando a atenção fornecido pelo Nougeira. Tanto depois como antes este momento ela fala da fé dela como algo agradável mas aqui ela fala da missa como se fosse algo chato. Ela diz que toda missa é a mesma seja onde for. Um católico dedicado com oratório que acredita em espíritos e quer imagens na casa provavelmente não teria dito isso sem razão. A missa na Corte seria uma experiência única para um católico do interior e ela entenderia isso.

O que ela realmente está dizendo é se ele tem que ir naquela missa naquela noite. Ela quer que ele fica lá enquanto o marido dela "vai ao teatro." Mesmo que talvez não está tentando seduzir ele, a Conceição se sente melhor com a atenção deste rapaz. Só quando o vizinho chega e bate na janela ela deixa o Nougeira ir. Talvez se o vizinho não tivesse chegado à noite teria sido diferente.

Thursday, September 8, 2016

"Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. Não me recebeu mal. Começou por  não  dizer  nada;  pôs  em  mim  dois  olhos  de  gato  que  observa;  depois,  uma  espécie  de  riso  maligno  alumiou-lhe  as  feições,  que  eram  duras.  Afinal,  disse-me  que  nenhum  dos  enfermeiros  que  tivera,  prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao  faro das escravas; dois eram até  gatunos  
— Você é gatuno?
— Não, senhor.
Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto. Colombo? Não, senhor: Procópio José Gomes Valongo. Valongo? achou que não era nome de gente, e propôs chamar-me tão- somente Procópio,  ao  que  respondi  que  estaria  pelo  que  fosse  de  seu  agrado.  Conto-lhe  esta  particularidade, não só porque me parece pintá-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a  melhor idéia ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vigário, acrescentando que eu era o mais simpático  dos enfermeiros que tivera. A verdade é que vivemos uma lua-de-mel de sete dias." (Machado de Assis, "O enfermeiro," 21)

Esta parte do texto prefigura o resto do conto numa maneira irônica. O coronel fala dos problemas que teve com os outros enfermeiros mas aqui diz que no início ele e o Procópio se davam bem. Quando ele pergunta se Procópio é gatuno ele diz que não é e parece que o coronel acredita a palavra dele. Ele acredita tanto que deixa a herança toda dele com o Procópio. Provavelmente não teria feito isso com um dos enfermeiros anteriores que só queriam fazer-lhe mal. A ironia é que o Procópio mata o coronel e ganha tudo dele. 


Mesmo que seja sem querer o Procópio se torna o pior enfermeiro mesmo que seja o mais confiado. De certa maneira pode ser considerada ladrão mesmo que não planejou este ataque. Até as últimas palavras que o Procópio registra do coronel acusa ele de ser ladrão. A maior indicação que ele se tornou ladrão é como ele usa o dinheiro por si mesmo. Homem honesto teria confessado e dado este dinheiro a caridade mas ele não é honesto. Eu gostei da ironia e como de Assis a usa para trazer mais sentido para o conto.

Friday, September 2, 2016

"A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água é o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável." (Machado de Assis, "A Cartomante," 20)


Esta passagem traz um falso sentido de fé e esperança para o leitor. Pode até fazer o leitor esquecer a infidelidade da Rita por causa da esperança que Camilo sente sobre o futuro deles. O problema é que a fé e a esperança não serve quando são imitações da verdade. O cartomante prediz o futuro por dinheiro e o amor do Camilo e Rita se baseia em mentira e imoralidade. Estes dons aparentemente divinais são inúteis para todos no conto porque eles são corruptos. É pior ainda que Camilo só monstra fé em um momento difícil quando aparece que não há outra opção.

A conclusão do conto é tão mais chocante devido ao falso seguridade que de Assis nos dá com essa passagem. Acho que ele não está atacando a fé mas está explorando as implicações de ter fé por motivos errados e consultar uma pessoa "divina" que abusa seu poder. Essas coisa são vazias como as diversões que Camilo e Rita desfrutavam. Tudo isso é mostrado nessa passagem mas só quando lido novamente depois de ter terminado a leitura.