Friday, September 2, 2016

"A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água é o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável." (Machado de Assis, "A Cartomante," 20)


Esta passagem traz um falso sentido de fé e esperança para o leitor. Pode até fazer o leitor esquecer a infidelidade da Rita por causa da esperança que Camilo sente sobre o futuro deles. O problema é que a fé e a esperança não serve quando são imitações da verdade. O cartomante prediz o futuro por dinheiro e o amor do Camilo e Rita se baseia em mentira e imoralidade. Estes dons aparentemente divinais são inúteis para todos no conto porque eles são corruptos. É pior ainda que Camilo só monstra fé em um momento difícil quando aparece que não há outra opção.

A conclusão do conto é tão mais chocante devido ao falso seguridade que de Assis nos dá com essa passagem. Acho que ele não está atacando a fé mas está explorando as implicações de ter fé por motivos errados e consultar uma pessoa "divina" que abusa seu poder. Essas coisa são vazias como as diversões que Camilo e Rita desfrutavam. Tudo isso é mostrado nessa passagem mas só quando lido novamente depois de ter terminado a leitura. 

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