Wednesday, October 26, 2016

"Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações/ 
de apreço ao Sr. diretor."

“Poética” Manuel Bandeira p. 184

Eu gostei muito dessa imagem neste poema porque indica uma frustração maior com a sociedade. Uma sociedade burocrática é chata e pode até prejudicar arte porquê falta espontaneidade. Tudo tem que ser bem planejado e medido numa sociedade assim. Não pode ofender ninguém e tudo tem que seguir certas regras. Isso é muito claro hoje em filme, romance e televisão. Parece que tudo é feito por comitê e voto popular, não por pessoas imaginativas. A mídia hoje é um pouco diferente que a poesia descrita pelo Bandeira, mas a imagem aplica ainda.

Poucas coisas populares são originais hoje. Este é o problema. As pessoas que produzem mídia só querem dinheiro e sempre vão fazer o mínimo esforço possível para enriquecer. As audiências leem e assistem qualquer coisa produzida hoje. Por isso parece uma burocracia. Porque fazer mais do que necessário? O sistema está funcionando e o povo está mais ou menos tranquilo então não precisa esforçar mais. Esta ideia está destruindo mídia moderna. Eu concordo com o Manuel Bandeira e eu sinto sua frustração com a poesia na época dele.

Wednesday, October 12, 2016

Poesia
grão amargo
entre meus dentes.
("Poesia," Neide Archanjo p. 109)

Este poema funciona muito bem porque apresenta uma tese que apoia através da sua própria existência. Eu diria que isso é um ótimo exemplo de metaficção. É poema que fica com o leitor porque pede a interpretação. Alguns poemas podem ser facilmente entendidos, mas este não é um poema simples mesmo que seja bem curto. Ao parecer mais acessível, este poema aumenta mais ainda o conceito de analise. Uma olhadinha indica que seria um poema muito facíl de entender, mas ao ler o leitor é obrigado fazer algumas interpretações pessoais. Por exemplo o leitor pergunta se o autor gosta de poesia ou se este poema é manifesto contra a poesia? Não poder saber com certeza, mas é difícil ler isso sem ter essa perguntas.


Eu acho que talvez isso seja um poema demonstrando o problema de analisar demais. Talvez a poesia somente se torna grão amargo quando procuro significado. O poema em si foi engraçado a primeira vez que eu li porque é paradoxo comparar poesia com algo chato num poema. Mas ao ler de novo eu começei procurar o significado mais profundo. Foi neste momento que o poema começou parecer grão amargo. Talvez era melhor ler uma vez e nada mais pensar nele, mas se eu tivesse feito isso eu teria perdido a tese auto-realizável. 

Thursday, October 6, 2016

“Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão” (Rueben Braga, “Homem no mar” 84).

Eu acho que essa crônica exibe a problema com julgando as pessoas de uma percepção limitada. O narrador diz que este homem é “irmão correto” mesmo que não sabe nada dele. Ele poderia ser adúltero, mentiroso ou ladrão. Não há evidência nenhuma que este homem é “nobre” ou “correto.”  Isso revela otimismo do narrador que é uma qualidade boa, mas tem que ter cuidado. Eu acredito que a maioria das pessoas são boas, mas santas talvez não sejam. Fazendo o homem do mar parecer um herói é tão perigroso que achando que ele é vilão. Não é possível fazer um julgamento tão simples sem ter mais informação.


O homem do mar pode representar qualquer figura histórica de caráter dúbio. Os Colombos e Napoleãos do mundo foram homens de grandes obras e estudamos eles. Acompanhamos suas viagens e conquistas na sala de aula, mas não realmente sabemos o caráter deles. Alguns dizem que foram heróis enquanto outros os chamam de vilões. A verdade é provavelmente algo entre os dois. Observando de longe não dá para saber, mas mesmo assim todos tem uma opinião. Eu acho melhor reservar o julgamento até o ponto em que sabemos mais.