Thursday, November 17, 2016

Zé-do-Burro, de faca em punho, recua em direção à igreja. Sobe um ou dois degraus, de costas. O Padre vem por trás e dá uma pancada em seu braço, fazendo com que a faca vá cair no meio da praça. Zé-do-Burro corre e abaixa-se para apanhá-la. Os policiais aproveitam e caem sobre ele, para subjugá-lo. E os capoeiros caem sobre os policiais para defendê-lo. Zé-do-Burro desapareceu na onda humana. Ouve-se um tiro. A multidão se dispersa como num estouro de boiada, Fica apenas Zé-do-Burro no meio da praça, com as mãos sobre o ventre Ele dá ainda um passo em direção à igreja e cai morto.

Esta informação extradiegética é muito importante para o entendimento da história do Zé. A descrição de uma “onda humana” representa o fato que ele é vítima de sistemas que não controla. Ele se perde na exploração dessas instituições. Eu acho interessante que neste instante a informação extradiegética está apoiando os temas da peça sem ajuda do diálogo. Ao receber um tiro na barriga, o Zé ainda faz esforço para entrar na igreja. Tomando um passo e caindo morto indica sua intenção de entrar e sua incapacidade de fazer isso por causa das ações das pessoas ao redor dele. Eles todos são culpados de certa forma, porque todos falharam e as instituições de proteção machucaram ele.

Ninguém sai dessa situação sem culpa. Não sabemos quem deu o tiro que matou o Zé mas sabemos que todas as ações das pessoas contribuíram a essa situação. O clímax representa as consequências de explorar os outros em pleno contradição de uma carga oficial ou protetora. Tudo isso poderia ter sido evitado e o homem comum, Zé, não teria sofrido a injustiça que sofreu. Isso demostra a importância de tomar cuidado com a vida dos outros. Abusando uma posição de poder indica essa necessidade, porque talvez não vai causar problemas para o poderoso, mas os outros podem sofrer.

No comments:

Post a Comment