“De suíço
tenho, herdados de meu bisavô,
um relógio de
bolso antigo e um vago, estanho nome.”
“Autoretrato”
Rui Knopfli (170)
É interessante que neste poema o Knopfli fala de tudo que tem recebido
do lado português dele usando muitas figuras de linguagem e imagens vividas,
mas ao descrever seu lado suíço é bem literal. Ele literalmente herdou um relógio
e um sobrenome daquele lado de sua família, nada mais que isso. Seu desprezo de
seu lado suíço talvez indica que ele sente mais português que suíço. Como poeta
é provável que ele sente que seu lado suíço não tem contribuído nada ao seu
trabalho e sua imaginação. É parte dele, mas ele só tem um nome e relógio como evidência
disso.
Do outro lado, ele usa sua identidade suíço no poema que indica que tem
influenciado dele mais que ele diz. Ele faz um contraste entre o lado suíço e o
lado português e é possível que não teria recebido tanto do lado português sem
o lado suíço também. É como seria impossível saber o bem sem saber o mal também.
Estes dois versos indiquem bem mais do que dizem e por isso são incluídos. Se
não tivesse dito nada sobre o lado suíço, o leitor nem saberia da importância daquele
aspecto da sua vida, mas por é incluído o leitor entende que o lado suíço tem
um papel importante na sua vida.
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