Wednesday, October 12, 2016

Poesia
grão amargo
entre meus dentes.
("Poesia," Neide Archanjo p. 109)

Este poema funciona muito bem porque apresenta uma tese que apoia através da sua própria existência. Eu diria que isso é um ótimo exemplo de metaficção. É poema que fica com o leitor porque pede a interpretação. Alguns poemas podem ser facilmente entendidos, mas este não é um poema simples mesmo que seja bem curto. Ao parecer mais acessível, este poema aumenta mais ainda o conceito de analise. Uma olhadinha indica que seria um poema muito facíl de entender, mas ao ler o leitor é obrigado fazer algumas interpretações pessoais. Por exemplo o leitor pergunta se o autor gosta de poesia ou se este poema é manifesto contra a poesia? Não poder saber com certeza, mas é difícil ler isso sem ter essa perguntas.


Eu acho que talvez isso seja um poema demonstrando o problema de analisar demais. Talvez a poesia somente se torna grão amargo quando procuro significado. O poema em si foi engraçado a primeira vez que eu li porque é paradoxo comparar poesia com algo chato num poema. Mas ao ler de novo eu começei procurar o significado mais profundo. Foi neste momento que o poema começou parecer grão amargo. Talvez era melhor ler uma vez e nada mais pensar nele, mas se eu tivesse feito isso eu teria perdido a tese auto-realizável. 

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